Casal Maduro detido na mesma prisão de P. Diddy e “El Chapo”

Centro de Detenção localizado em Brooklyn é a atual casa de algumas das figuras mais mediáticas da criminalidade e do entretenimento norte-americano.

RTP /
Foto: Jane Rosenberg - Reuters

O presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro e a mulher Cilia Flores partilham atualmente o mesmo destino carcerário que várias figuras norte-americanas conhecidas do público como P. Diddy, “El Chapo”, entre outros criminosos e barões da droga.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, esta é uma prisão federal repetidamente denunciada por condições “desumanas”, violência e falhas graves de segurança.

Após terem sido detidos por forças militares dos Estados Unidos em Caracas, Maduro e a mulher foram transferidos para Nova Iorque, onde aguardam julgamento federal por acusações relacionadas com tráfico de drogas e armas. Tudo indica que permanecerão no MDC até ao desfecho do processo.

No mesmo estabelecimento prisional encontram-se rostos mediáticos como Sean “Diddy” Combs, acusado de tráfico sexual, Luigi Mangione, que enfrenta acusações pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare Brian Thompson, bem como Ghislaine Maxwell, Sam Bankman-Fried e o mexicano barão da droga Joaquín “El Chapo” Guzmán.

Localizado em Brooklyn, Nova Iorque, o MDC acolhe reclusos com processos pendentes e detidos a cumprir penas curtas. Ao longo dos anos, tornou-se conhecido não só pela lista de prisioneiros célebres, mas também pelas sucessivas denúncias feitas por advogados, juízes e antigos detidos.

As críticas às condições do estabelecimento são recorrentes. Advogados de Sean Combs referiram, em 2024, episódios de violência grave, incluindo um homicídio dentro da prisão no verão desse ano e pelo menos quatro suicídios nos últimos três anos. Em documentos judiciais, o MDC foi descrito como “sujo”, “infestado de drogas” e marcado por contaminação alimentar e condições físicas perigosas.

Em janeiro de 2024, o juiz americano Jesse Furman considerou que as condições eram tão degradantes que não justificavam a detenção de um réu que cumprira todas as obrigações de fiança. Segundo o magistrado, tornou-se “rotina” a redução de penas com base nas condições de confinamento naquela prisão, sem oposição do Ministério Público.

Ghislaine Maxwell - condenada em 2021 por tráfico sexual infantil, entre outros crimes - também denunciou o regime a que foi sujeita durante a sua permanência no MDC, alegando vigilância extrema, com luzes acesas na cela a cada 15 minutos.
 
De acordo com o Guardian, o MDC alberga atualmente cerca de 1336 detidos e enfrenta problemas estruturais de sobrelotação e falta de pessoal.
 
Maduro e Flores compareceram esta segunda-feira num tribunal de Manhattan, onde se declararam inocentes. O agora ex-presidente venezuelano chegou a definir-se como “prisioneiro de guerra”, mas a imagem no tribunal foi a de dois detidos comuns: uniformes da prisão, semblante fechado e, no caso de Flores, curativos visíveis no rosto, que o advogado atribuiu a ferimentos sofridos durante a captura.

A presença do casal no MDC sublinha a queda abrupta de estatuto: de líderes no poder para reclusos à espera de julgamento, lado a lado com algumas das figuras mais controversas da justiça criminal norte-americana.
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